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Na costa africana, Matias Eli arruma o barco, fala com a filha e enfrenta tempestade


Por Matias Eli, especial para o Webventure | 25/12/2010 - Atualizada às 08:03

Matias Eli enfrenta muitos problemas a bordo do Bravo
Matias Eli enfrenta muitos problemas a bordo do Bravo
Foto: Arquivo Pessoal/ Matias Eli
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Depois do susto e sem saber ao certo o que tinha acontecido no Bravo, desci totalmente a vela mestra amarrando-a bem forte na retranca, mas a veleta do leme de vento se quebrou, talvez pela força do próprio vento ou da água (nunca saberei).

Como o barco estava desgovernado, tive que pegar uma veleta reserva e substituir. Fazia muito frio e o vento forte só piorava, mas não tinha alternativa, se o barco afundasse, eu precisaria entrar na balsa salva-vidas e esperar pelo resgate, portanto, peguei minha sacola aprova d água (onde guardo meu telefone satelital, um GPS manual e algumas pilhas) adicionei duas garrafas de água e meus documentos. Agora estava tudo pronto caso precisasse abandonar o barco e por incrível que pareça isso me deu certa tranquilidade.

Voltei ao trabalho na procura do buraco no barco e enquanto procurava a resposta resolvi experimentar a água que estava lá dentro. Por sorte era salobra. Que alivio! Era a resposta que estava procurando! Aquela água era uma mistura da água do mar, que entrou durante a incidente e mais 200 litros de água doce de um dos tanques que não aguentou a pressão e estourou na parte superior, onde fica a tampa de inspeção.

Aos poucos o nível da água foi baixando até que o porão ficou seco novamente, mas dentro da cabine ainda reinava o caos. Tudo molhado e coisas esparramadas pelos cantos mais absurdos como facas no teto, moedas na cozinha, panelas na cama, cebolas no porão, enfim, uma zona total! Instrumentos de navegação, piloto automático ou motor, nada funcionava e como o gerador eólico também havia sido danificado não tinha como carregar as baterias para acender as luzes de navegação à noite.

Velas - Desliguei a geladeira para economizar energia e segui meu caminho para Port Elizabeth contando apenas com minhas velas e um GPS manual. Não era o fim do mundo, afinal de contas conheci muita gente (principalmente os velejadores mais velhos e experientes) que navegam o mundo todo assim e muitos deles não levam nem GPS, apenas um sextante.

No quarto dia de viagem ainda ventava muito, mas o sol resolveu dar as caras. Aqui é assim: “oito ou 80″. Mas até que foi bom, pude descansar, e por tudo para secar do lado de fora, dei uma bela arrumada no interior do barco, e consegui fazer o motor funcionar, mas como tinha pouco combustível o deixei quieto, minhas baterias estavam carregadas graças ao painel solar e meu consumo era nulo, pois não liguei a geladeira e os instrumentos não funcionavam. A vida estava voltando ao normal.



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