Coluna do Deco: Paris-Dakar unplugged, uma aventura real


Por Deco Muniz | 15/06/2009 - Atualizada às 15:54

Réplica do Skoda usado na viagem
Réplica do Skoda usado na viagem
Foto: Divulgação
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Oldrich Kyllar nasceu na hoje extinta Tchecoslováquia, em 22 de abril de 1906. Engenheiro, conheceu o Brasil em 1937, quando morou por algum tempo em Recife, montando usinas de açúcar para seu empregador, a fábrica de automóveis e equipamentos Skoda. Naquela época esteve algumas vezes no Rio de Janeiro, foi mais um estrangeiro que se apaixonou pela magia da cidade, então plenamente maravilhosa e cheia de encantos mil.

Em 41 voltou para o seu país, com dos sonhos prontos para decolagem: 1- Viver definitivamente nas ensolaradas terras cariocas. 2- Tentar uma viagem/desafio através da África. A viagem despertou o interesse do seu então cunhado, o francês Jean Marek, que se ofereceu para acompanhá-lo e documentar a aventura em sua moderníssima máquina fotográfica.

A Skoda também facilitou as coisas, não tanto como a dupla esperava, mas o carro, um Skoda 1101 lhes foi vendido a preço de custo. O Skoda 1101 esteve na linha de montagem da fábrica de 1940 a 1951, competindo com o lendário “fusca” (1200). Era um veículo extremamente simples, mas muito resistente, que possuía 1.089 cc, tração traseira, 4 cilindros, 32 hp, peso de 930kg e velocidade máxima em torno de 115km/h. A documentação necessária foi fornecida, com grande preocupação, pela Cie.

Generale Transharienne, que controlava a África Ocidental, então sob domínio francês. Cientes dos enormes riscos e perigos da travessia, Kyllar e Marek acabaram forçados a assinar um “contrato de socorro” com os franceses, cujos valores ultrapassavam em muito suas possibilidades financeiras, no melhor estilo “a aventura é uma aventura em si mesma”.

Jornada - Vencidas as dificuldades iniciais, em janeiro de 1947, o pequeno Skoda e seus valentes ocupantes puseram-se em marcha, desde a clássica Praga, capital da Checoslováquia, com um longínquo e aparentemente inatingível destino: Dakar, a misteriosa capital do Senegal. Essa extraordinária jornada começa exatos 41 anos antes do primeiro ralí oficial para Dakar. Em 47 não existiam pneus especiais, parafernálias eletrônicas, helicópteros de resgate ou caminhões-vassoura, os uniformes dos “pilotos” eram terno e gravata com colete, mesmo nos piores trechos de deserto.

Há mais de meio século atrás, em 14 de janeiro de 1947, movido apenas pela determinação de Kyllar e seu “cunhado-navegador”, o “1101” está a caminho. “Tuaregs” e “Buanas”, com vocês, pela primeira vez, a íntegra do diário de bordo desta fantástica aventura verídica, contada pelo próprio Kyllar em seus históricos apontamentos originais. Portanto, revise rapidamente o seu equipamento de sobrevivência; o deserto se aproxima...

Deco Muniz


Navegador e organizador de ralis, começou a navegar em provas off-road em 1998. É organizador do paulista de rali cross-country e da Copa Troller. Participou de diversas edições do Rally dos Sertões e de várias provas nacionais de ralis cross-country.

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