Comida no Dakar
Foto: Lino Bocchini
Acampamento no deserto
Foto: Van Oers J./ KTM
Jean Azevedo almoça no Dakar 2007
Foto: Charles Maindru/ Divulgação
O caminhão de André Azevedo no Dakar 2007
Foto: Charles Maindru/ Divulgação
É muito comum me perguntarem como é a comida durante o Rally Dakar. Provavelmente o leitor não sabe, mas quando fazemos a inscrição, também temos direito a café da manhã e jantar cedidos pela organização da prova. Alguns anos atrás, brincávamos que o alimento mais parecia ração, como o que vemos em campanhas militares, difícil de distinguir exatamente o que estávamos comendo. Hoje a situação é bem diferente.
Por ser bastante extenso – em média 15 dias – o rali é muito cansativo. Depois do oitavo dia o corpo já começa a sentir o desgaste. Por isso, redobrar os cuidados com a alimentação é muito importante. Só temos tempo certo para o café da manhã. Jantar? Só no acampamento e no final do dia, se chegar...
No café da manhã a organização nos entrega um pacote com alguns alimentos para “passar o dia”: frutas secas, leite condensado, patê, torradas, uma caixa de suco de 200 ml, um pedaço de um salame, entre outros. Na hora em que decidimos comer algo - na véspera da largada para a especial, numa troca de pneu, falha mecânica - começa uma atividade de trocas dentro do veículo. Tem aquele que prefere comer o doce e outro o salgado, ou seja, vira um mercado na cabina do caminhão e até descontrai um pouco toda a pressão que estamos sofrendo.
Na época em que pilotava moto levamos uma complementação alimentar indicada por um nutricionista aqui do Brasil, pois na moto o espaço é bem menor e o desgaste físico é intenso.
Para beber as opções são mais variadas: refrigerante, água, suco, café e chá. Posso garantir que durante um Dakar ou Sertões a comida e a bebida valem ouro. A bebida ainda mais, já que estamos no meio do Deserto do Saara ou do sertão brasileiro. Estes itens são fundamentais para um bom resultado.
O rali é uma prova de resistência, tanto física quanto mental e estar preparado para enfrentar todos esses desafios não é tarefa fácil. É necessário superar além dos obstáculos do terreno, os do próprio corpo. E é por isso que se engana quem pensa que ficamos parados o resto do ano. Participar de ralis é resultado de um trabalho de 365 dias de treinamento, planejamento e concentração.