As maiores montanhas do Brasil


Por André Dib | 03/12/2010 - Atualizada às 18:18



Monte Roraima é uma das maiores montanhas do país com 2.734m
Monte Roraima é uma das maiores montanhas do país com 2.734m
Foto: Arquivo pessoal/ André Dib
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Desde os primórdios os homens buscam o alto de uma montanha sem um motivo aparente. O que leva as pessoas às alturas de um pico? Superação da condição humana? Transcendência? Ou somente a sensação da conquista? Essas são questões tão antigas como a própria humanidade. A montanha sempre esteve presente no imaginário das pessoas em todas as civilizações, através da mitologia que fundamenta e guia a história dos povos.

O Monte Olimpo era a residência dos deuses para os antigos gregos, e através da mitologia, influenciou diretamente toda a cultura ocidental. No folclore japonês, as montanhas são sagradas e todas possuem uma atmosfera sobrenatural. O Monte Fuji, por exemplo, seria a passagem para o outro mundo. Na mitologia Taoista, os imortais iam viver no cume dos grandes montes. No Brasil, o Monte Roraima, sustenta a morada do Deus Macunaíma (veja mais).

Onde existir um pico imponente, marcando a paisagem, foi, ou é, para alguns um lugar sagrado ou a morada de um deus. O fato é que as montanhas causam no homem perplexidade diante de sua natureza descomunal. Instigam a percepção de seu tamanho, insignificante, ínfimo diante da grandeza do mundo e da natureza que o cerca. A montanha simboliza a ruptura entre os níveis, do racional para o imaginário que ilustra os sonhos. Faz a ligação entre o céu e a terra. Para a filósofa Zelita Seabra, O amor à montanha, naqueles que o sentem, tem raízes profundas.

Escalar - O ritual de preparação, o ato da subida, a busca pela imensidão faz parte do íntimo de muitos indivíduos, que não se contentam apenas à contemplação. É um momento de introspecção, a viagem se interioriza. O sentimento de subir é indizível, o silêncio é rompido pela respiração ofegante. O cume se aproxima!

Por que o ser humano é tomado pela inquietude, por essa ânsia de buscar o encanto no desconhecido? O Escritor Jon Krakauer, cita as encenações grosseiras em filmes e metáforas banais ao que o tema se presta, no excelente livro “Sobre homens e Montanhas”. Lembra ainda a interpretação equivocada de alguns psicanalistas que nunca romperam os limites de um consultório.

A palavra “montanhismo”, na concepção do público contemporâneo, causa a mesma repulsa da ideia de estar diante de tubarões ou abelhas assassinas. Porém, o êxtase das alturas está ligado ao ser humano, incontestavelmente, como a experiência de algo sublime, que nos permite enxergar e sentir que fazemos parte de um todo muito maior, que nunca vamos compreender.


André Dib


Iniciou-se tarde no estilo de vida outdoor. Até os 25 anos nunca havia feito um trilha. Subiu sua primeira montanha no parque Nacional de Itatiaia em 2000, e de lá pra cá não parou mais. Fotógrafo desde 2002, compõe matérias para as principais revistas de natureza, esporte e aventura do país, além de produzir imagens para catálogos publicitários e campanhas institucionais, sempre abordando o tema Outdoor. Dib fez alguns cursos práticos de escalada em gelo no Parque Nacional Condoriri, e no Huayna Potosí, na Bolívia, e escalou o Aconcágua, em janeiro de 2010. No Brasil, participou de diversas viagens e expedições, como o Pico da Neblina (2007), e o Monte Roraima, onde já esteve 3 vezes. A força das imagens produzidas "in loco", a natureza pulsante e a maneira como o ser humano se encaixa nela tornaram-se a marca da trajetória do fotógrafo.

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