A escalada indoor e a montanha são ambientes que se completam.
Foto: Samir Souza / Arquivo Webventure
Eu sempre fiz parte do time que torce o nariz para a escalada indoor; prefiro dez vezes mais ir direto treinar ou escalar ou em Itatiaia ou na Ana Chata ou no Jaraguá ou no DIB... Enfim, sempre que temos tempo disponível, saímos para a atividade ao ar livre.
Mas... nunca diga nunca, já dizia Bertold Brecht. Neste verão de muita chuva, a minha turma - dos antigos, até os que moram longe e estiveram aqui em visita - resolveu aparecer em uma parede de São Paulo para escalar, já que ir para a montanha com tanta chuva não está dando.
E lá, em dias em que não há muito movimento, consegui aproveitar para treinar um bocado, exercitar posição de pés, de equilíbrio, de força... a cair sem vergonha, pois há o
top rope, e a subir novamente. Aproveitei para chamar o “DJ” de plantão (tenho chamado sempre o Eduardo) e pedir dicas de como é o melhor jeito de subir esta ou aquela via. E subi, subi e subi várias vezes até conseguir fazer o tal do lance.
Carteirinha inteira picotada - Na verdade, as primeiras subidas foram um pouco devagar, querendo desescalar, ao invés de descer na corda. Depois, o gosto pelo assunto foi ficando forte e aí a carteirinha já foi inteira picotada. Claro, uma só vez por semana, mas, toda semana.
Também pudemos sentir a necessidade de fazer um bom alongamento antes e após o treino. Na montanha, não sentimos tanto a falta do alongamento, pois até chegar no local da escalada você já caminhou e se esticou todo. Sentimos a necessidade de posicionar muito bem as mãos, os pés, o corpo. Estica o braço, sobe no pé, muda a posição do corpo, não pára pra pensar, vai lá, alcança...
E depois de duas horas, você não sei, mas eu já estava “acabada”. Aos poucos fui aumentando o tempo em que conseguia me manter na parede, sem descansos maiores do que o tempo do companheiro subir.
Que bom para o corpo e para a cabeça! Ainda mais se vão os amigos e ainda dá para atualizar a conversa! E a meninada tem uma grande oportunidade de aprender as técnicas de subida bem mais perto de casa, sem a necessidade de mil arranjos para uma viagem até a montanha mais próxima.
Um ambiente completa o outro - Mas olhe que para mim esse é um tempo de treinamento, de ficar em ponto ótimo para retornar às montanhas, à pedra mesmo, tão logo seja possível. E continuar aparecendo nas paredes sempre que puder. Um ambiente alimenta o outro, fazendo crescer o nível técnico. Sem frescura. Sem elitismo.
Sei que para muita moçada a parede já é um fim em si mesmo, ou seja, eles não precisam ir para a montanha para ser grandes escaladores. E pode ser que não precisem mesmo, mas seria muito bom que também pudessem alternar parede e rocha, rocha e parede. Com certeza, o montanhismo e a escalada esportiva ganhariam muito com essa troca.
Também é claro para mim que essa não é nenhuma grande novidade, mas faço questão de reafirmar essa minha “descoberta” e convidar a todos que pratiquem mais nas paredes e ... nas montanhas!