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Vai esquiar? Algumas considerações minhas sobre o assunto


Por Antonio Paulo Faria | 02/02/2012 - Atualizada às 13:02

"Esqui e montanhismo são duas atividades que estão naturalmente interligadas, pelos menos em regiões montanhosas temperadas"
"Esqui e montanhismo são duas atividades que estão naturalmente interligadas, pelos menos em regiões montanhosas temperadas"
Foto: Arquivo pessoal
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Esqui e montanhismo são duas atividades que estão naturalmente interligadas, pelos menos em regiões montanhosas temperadas. A maioria dos escaladores de montanha norte-americanos, europeus e japoneses que eu conheço também esquia, pois as utilidades do esqui são muitas, ao contrário do snowboard.

Entretanto, não me lembro de ter conhecido um escalador brasileiro que usasse esqui nas escaladas – embora sempre encontremos brasileiros nas estações de esqui da América do Norte e da Europa. Em estações da Argentina e do Chile, por exemplo, a língua portuguesa já se tornou comum, mas estas pessoas são turistas comuns, a maioria tendo seu primeiro contato com neve.

Esse tipo de turismo obviamente promove diversão e muitas gargalhadas – especialmente para quem está assistindo. E essas pessoas não precisam ficar desanimadas ou acanhadas, afinal quedas desconcertantes são comuns até para os mais experientes, quando estes testam seus limites. Aliás, cair sobre camadas de neve novas e espessas é melhor do que cair na água (mas se for a neve for antiga e compacta, dói!)

Esquiar é um esporte caro. Bons equipamentos novos, como esquis, botas e roupas, custam no total cerca de 2 mil dólares. Obviamente, vale mais alugar esses equipamentos. Mas caro mesmo é o preço dos teleféricos. Nas estações mais badaladas dos Estados Unidos e do Canadá, ele pode custar mais de 100 dólares por dia – ou 50 nas estações menores e desconhecidas.

O problema é que não há sempre garantia de neve de qualidade. Os meteorologistas não conseguem prever isso. Você pode planejar suas férias com meses de antecedência, comprar um pacote de viagem, e, ao chegar lá, pode acontecer muitas coisas:

>> Pode não ter nevado o suficiente na temporada;

>> No período que você chegar pode ter o azar de fazer “calor” (temperatura superior a 2° C) e a neve se tornar uma pasta úmida e desagradável, boa apenas para fazer bolas e bonecos de neve. Na Argentina, os brasileiros são conhecidos como “tira bolos”: vão para Bariloche fazer guerrinhas de bola de neve, o que não deixa de ser divertido.

>> Pior: pode chover em vez de nevar. Quando isso ocorre com temperaturas abaixo de zero grau, a película de água na sua roupa pode congelar, tornando o vestuário uma armadura. Isso ocorre nas inversões térmicas, quando as camadas de ar superiores ficam mais quentes do que as camadas próximas da superfície;

>> Mas se depois da chuva voltar a fazer frio, a superfície úmida da neve recongela, formando uma carapaça de gelo que torna o esqui um esporte desagradável;

>> Se passar algumas semanas sem nevar, as pistas ficam com a neve tão compacta que parece gelo.

Enfim, existem várias situações desagradáveis que tornam o esqui impraticável, como ainda visibilidade menor que 10 metros por causa da neblina, vento muito forte, ou frio entre menos 10 e menos 40°C. Entretanto, talvez a mais decepcionante seja a precipitação de neve extrema, que acumula camadas de neve muito espessas, de até 1 metro em um dia. Neste caso, as avalanches são eminentes. Ou se seja, tem neve em abundância e de altíssima qualidade, mas você não pode ou não deve esquiar. É quase um suicídio, exceto em topografias onde as avalanches são raras. Nas estações de esqui, seus administradores costumam provocar avalanches com a detonação de dinamite, para controlar o risco de avalanche natural. Mas, nem sempre isso é possível.



Antonio Paulo Faria


É montanhista há 30 anos, sem interrupção. Abriu mais de 100 vias de escalada, hoje muitas clássicas. A primeira em 1983/84, no Parque Nacional da Serra do Caparaó. Depois outras no Brasil, mais Argentina, Chile, Colômbia, Canadá, Estados Unidos e Marrocos. Não se considera um escritor, mas um “tirador de ondas”. “Meu objetivo aqui é fazer você rir um pouco e passar algumas informações. Não vou negar que, às vezes, saio dos limites. Vai depender de como você interpretará as minhas historinhas. Se não gostar, reclame com o editor.”

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