O técnico agrícola Gaspar da Silva Alencar, que há 4 anos administra a floresta
Foto: Gabriel Barbosa
A entrada da reserva, que tem 170 hectares e foi fundada em 2005
Foto: Gabriel Barbosa
Localizado em uma região de transição entre cerrado e caatinga, com trechos de floresta tropical e de cocais, o Piauí é um estado que apresenta grande diversidade de paisagens, embora seja pouco visitado – ele recebe menos de 1% dos viajantes nacionais, de acordo com o Ministério do Turismo.
A pouca popularidade torna quase desconhecida regiões como a Floresta Nacional de Palmares, perto de Teresina, a menor reserva federal dessa categoria no Brasil, com 170 hectares (um campo de futebol tem mais ou menos 1 hectare). Criada em 2005, Palmares é um exemplo de como preservar com pouco recurso.
Quem gerencia o lugar é o técnico agrícola Gaspar da Silva Alencar, que mora em uma casa na entrada da floresta, junto com sua esposa. Ele conta que em 4 anos, tempo que está no cargo, nunca precisou fazer uma prisão, multa ou autuação. Com uma equipe de apenas oito homens, o segredo é a prevenção, diz.
“Damos um curso para os guardas, para que ajam e interajam na natureza. Eles fazem rondas diárias e quando veem uma armadilha de caça, já fazem a retirada. Isso acabou inibindo a captura de animais silvestres”, explica Gaspar, que mantém a reserva mesmo sem um orçamento fixo. “Nós recebemos, em média, 6 mil reais por ano de verbas remanejadas”.
“A política brasileira é muito centralizada em Brasília e os administradores estão muito distantes da realidade”, analisa. “E natureza não é prédio: ela precisa de uma fiscalização preventiva e de pessoas que conheçam o ambiente. Aqui, nós conseguimos mostrar que é possível conservar sem gastar muito”, ensina o administrador.