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Blog do Sampa Bikers

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Blog do Sampa Bikers O Sampa Bikers é um clube de ciclistas fundado em 1996 que organiza as mais diversas atividades relacionadas a bicicleta, como passeios, viagens de cicloturismo, competições, feira, cursos ...

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Quanto vale a vida de um ciclista no Brasil?


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 20/07/11 às 10:44 na(s) categoria(s) Coluna


Nesta semana, infelizmente, descobrimos que a vida humana de um ciclista tem um valor estabelecido de R$ 3.000,00, enquanto a de um motorista R$ 300.000,00, isso para a classe A. Será que dá para avaliar o valor da vida independente do meio de transporte ou classe social?

Essa foi à rápida e grossa conclusão que cheguei após comparar a morte de nosso amigo ciclista mineiro Rubens Vieira Matos, de 53 anos, que pedalava na faixa da direita da via, no sentido de Contagem, quando foi atropelado na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, no bairro Camargos.

Com o impacto, o ciclista foi arrastado por alguns metros e a bicicleta ficou destruída. Rubens morreu antes da chegada do resgate.

De acordo com o delegado do DETRAN, o motorista pagou fiança no valor de R$ 3 mil e vai responder ao processo em liberdade.

Minha comparação é em relação ao acidente do Porshe no Bairro do Itaim alguns dias atrás, onde um engenheiro dirigindo seu Porsche em alta velocidade (150 KM/h) bate em um veículo que era conduzido por uma mulher de 28 anos. A mesma, após a colisão, acaba falecendo e, segundo o boletim de ocorrência, mais duas pessoas saem feridas além do motorista do Porsche que ficou inconformado com o prejuízo em seu carro importado, sem ao menos se importar com as pessoas acidentadas. Motorista em questão foi liberado nessa quarta feira (13-07)  e pagou uma fiança de R$ 300.000,00 (metade do valor do carro que dirigia) e irá responder ao crime em liberdade.

Recentemente nosso maravilhoso Congresso Tendo, em tese, acaba de autorizar o bandidismo, e a Presidenta homologar a liberdade ao crime.

Com a Lei 12.403, pessoas que cometeram crimes considerados leves e com penas de até 4 anos de prisão e que nunca foram condenados por outro delito (Réu primário), apenas serão presas em último caso.

Eu só gostaria de saber para onde vai essa "fiança" paga pelo Motorista, será que irá para a família da vitima morta no acidente? E será que será usada para pagar as despesas dos outros feridos? E será que o trauma que irá acompanhar as pessoas envolvidas, também será custeado por essa "fiança paga”? Infelizmente não sei as respostas e tenho quase certeza que os culpados serão esquecidos e as vitimas também serão abandonadas ao destino.  

Barbaridades cometidas por motoristas, que não respeitam as sinalizações e dirigem em alta velocidade, isso em qualquer hora do dia ou noite, temos que agir rápido e com rigor, fica aqui o alerta.

Veja a relação dos principais CRIMES LEVES:

• Furto simples;
• Porte ilegal de armas;
• Homicídio culposo no trânsito;
• Formação de quadrilha;
• Apropriação indevida;
• Dano a bem público;
• Contrabando;
• Cárcere privado;
• Coação de testemunha durante o andamento do processo;
• Falso testemunho, entre outros.

Nestes crimes basta apenas pagar uma fiança ao Delegado que varia de um salário mínimo a 100 salários mínimos ou se o infrator comprovar que é pobre e não pode pagar fiança, o valor é dispensado e o criminoso é solto.

A prisão em flagrante também não servirá mais para manter um suspeito atrás das grades, como hoje acontece. Além disso, os valores para fianças serão revertidos, obrigatoriamente, em favor das vítimas de criminosos condenados.

Portanto, não se assuste se você encontrar na rua o assaltante que entrou armado em sua casa roubou um aposentado à mão armada na fila do banco, o ladrão que roubou seu carro, o criminoso que desviou milhões de reais dos cofres públicos, o bandido que estava circulando com uma pistola 9 mm em vias públicas, etc.

Nós ciclistas somos uma imensa comunidade. Muitos de nós temos carros e podemos começar a mudar essa história respeitando mais o trânsito quando não estivermos em cima da bicicleta. E se espalharmos a cultura do respeito podemos melhorar um pouco o Brasil, porque isso aqui está muito esculhambado !

Vamos participar, precisamos  colaborar,  cada um fazendo sua parte.

Que DEUS nos ajude !!   E ele sempre ajuda  , basta colaborarmos!

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GPS para ciclistas


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 27/04/11 às 12:32 na(s) categoria(s) Coluna

 

Esse é o mais novo GPS no mercado, que está sendo usado por mim (Paulo de Tarso - Sampa Bikers e pela Renata Falzoni). Bem mais fácil de usar do que os das outras marcas. Recomendo !
O Ciclocomputador Rider50 traça rotas, registra distância, tempo e queima de calorias em sua exclusiva central de treinos

 

 

A Bryton (www.brytonsport.com.br), especializada em produtos para o segmento de fitness, lança o Ciclocomputador Bryton Rider50, aparelho com GPS integrado que permite traçar rotas, gravar trilhas, monitorar resultados de treinos e ainda possui uma central de treinos personalizada, ideal para controlar o nível de exercícios e calorias queimadas.

 

Com o mapa do Brasil pré-instalado, o ciclista, seja ele amador ou profissional, pode traçar rotas e transformar a pedalada em uma verdadeira aventura, monitorando dados como: distância, cadência, velocidade, calorias, batimentos cardíacos e altitude. O Ciclocomputador Bryton Rider50 ainda conta com seis modos de treinamento, possibilitando que cada usuário utilize a melhor opção de acordo com seu condicionamento físico e tipo de bicicleta. Além disso, é resistente à água, tem entrada para cartão micro SD e autonomia de até 15 horas de uso contínuo.

 

O aparelho é afixado no guidão, em suporte fornecido com o produto. Por meio de conexão mini USB (central de treinos), o ciclista pode compartilhar suas experiências com pessoas em qualquer parte do mundo, pelas redes sociais. Essa função, chamada BrytonBridge, transfere os dados do treinamento para a web. Com isso, é possível participar de uma comunidade onde o usuário forma equipes e cria competições, além de traçar objetivos e acompanhar os resultados de ciclistas profissionais.

 

O Ciclocomputador Bryton Rider50 está à venda no site www.lojabryton.com.br por R$ 1.699. A atendimento@brytonsport.com.br.

 

 

Sobre a Bryton – A Bryton (www.brytonsport.com.br) nasceu em Taiwan em 2009 e está presente no mercado brasileiro desde 2010, além de países da Ásia, Europa, Américas do Norte e Latina. Fabricante de ciclocomputadores com GPS entre outros produtos voltados ao mercado de ciclismo, direcionados para ciclistas e praticantes de esporte de aventura, que usam tanto profissionalmente quanto em lazer. 

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Conecte-se com a realidade


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 15/04/11 às 12:42 na(s) categoria(s) Coluna
Veja que legal o texto do Blog do Jum Nakao, do site www.modaspot.com , ele é artista, estilista que costura novos olhares  

Procuro transitar pela cidade apenas de bike. Sempre digo que, para mim, não é esporte, mas transporte. Tenho carro, mas evito usá-lo. Acredito que andar de bike é uma forma de manter uma conexão com a cidade, de ser turista do lugar em que moramos. Se todos renunciarem a esse direito – andar de bicicleta em sua própria cidade – a humanidade urbana embrutecerá. Nossa casa vai além das portas, muros, grades. Nossa casa é a nossa cidade.

Optei por me transportar de bike em 2004, ano em que rompi com diversas convenções. Ano em que rasguei vestidos feitos em papel. Vou com ela a qualquer lugar: reuniões, festas, exposições, cinema… Procuro fazer sempre o trajeto mais belo. Chegar suado, descabelado não é problema. Fico de alma lavada e certo de estar fazendo a minha parte. Andar de bike não pode ser alternativo. Deve ser prioritário. As vias principais devem privilegiar o fluxo humano e não de máquinas. Somente assim teremos cidades mais humanas.

Por que este texto começa com o assunto bicicleta? Há alguns anos estive na Holanda (falei sobre isso na minha coluna passada, Nova Vitrine) para uma exposição sobre meus vestidos de papel e para realizar uma palestra sobre design. Nesta ocasião tive a oportunidade de conhecer algumas cidades, estúdios de designers e conhecer um pouco do jeito holandês de viver. Assim que sai da estação de trem, me deparei com a seguinte imagem:

JUM NAKAO

Um mar de bicicletas!

O que mais me impressionofoi como as pessoas se relacionam intimamente com o local onde moram. Apesar do transporte público de primeiríssima qualidade e do poder aquisitivo permitir a todo cidadão holandês a compra de carros, as pessoas optam por andar de bike! O reflexo de tal atitude está na produção de bens que traduzem raízes, historicidade, saberes e sabores únicos. Valores perceptíveis somente por quem anda com os próprios pés, por quem está conectado com o entorno. Valores traduzidos em produtos de forma simples, eficiente e surpreendente, porque quem faz pensa com as mãos.

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CICLISTAS ATROPELADOS - Impunidade. Até quando?


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 28/02/11 às 13:22 na(s) categoria(s) Coluna



Vendo pela TV e pela internet as imagens do motorista  de Porto Alegre que jogou o carro sobre um grupo de ciclistas, foi impossível não ficar chocada. 


Como ser humano,  como ciclista e como psicóloga,  fiquei me perguntando o que leva alguém a agir assim, como se a vida fosse uma espécie de vídeo game? O que leva uma pessoa a simplesmente acelerar sobre um grupo de ciclistas podendo ferir, e até mesmo causar a morte de muitos deles?  É assustador.

Todos sabemos que não é fácil enfrentar o trânsito nas grandes cidades. Quando estamos sobre as rodas de uma bicicleta, ou atrás do volante de um carro lidamos diariamente com inúmeras situações geradoras de stress. Vivenciamos situações que nos agridem, nos frustram, nos provocam, nos irritam. Convivemos com a falta de civilidade, de educação e  de  respeito contidas nas  atitudes dos outros motoristas. Requer certo equilíbrio manter a sanidade em meio a tantos desafios.

Tudo isso se torna muito mais sério quando nos damos conta de que os motoristas de automóveis  tem uma arma poderosa e mortal em suas mãos: seu próprio veículo.

Creio que ainda temos muito a aprender, todos, sobre formas mais equilibradas de convívio entre ciclistas e veículos motorizados. Cabe aqui uma reflexão sobre os direitos e deveres de ambos os lados. Não se trata apenas de esperar que os carros nos respeitem. Precisamos aprender a respeitá-los também. Muitas vezes, em passeios em grandes grupos, observo os ciclistas tomando todo o espaço da rua, numa atitude inconseqüente, muitas vezes por falta de experiência, pela falsa sensação de segurança que sentem por estarem em um grupo e,  algumas vezes, por se sentirem  com mais direito ao espaço na rua do que os carros. Não podemos julgar o outro se nos portarmos da mesma maneira. Nós, ciclistas, também precisamos aprender a respeitar normas de segurança, saber como nos conduzir pelas ruas, utilizar equipamentos que nos protejam. Mesmo porque no caso de nos depararmos com uma pessoa desequilibrada ao volante, seremos o elo mais frágil dessa corrente, como pudemos observar no ocorrido.

Revendo a cena do atropelamento em massa dos ciclistas me dei conta de que  uma pessoa tomada pela irracionalidade, como esse motorista, com certeza já trazia em seu íntimo uma agressividade pronta a escapar dos fios da sanidade. Apesar de minha tentativa de  olhar para essa situação de forma neutra e justa, buscando compreender ambas as partes envolvidas, creio que absolutamente NADA  que  tenha sido dito ou feito justificaria tal ato de brutalidade contra os ciclistas. O que quer  que tenha provocado esse triste episódio foi apenas a faísca que encontrou um barril de pólvora prestes a explodir. O que aconteceu naquele dia nos faz pensar. É como se a humanidade estivesse por um fio. Um fio tênue e frágil separando a nossa racionalidade dessa impulsividade destrutiva e bestial que temos visto desfilar cada vez mais pelos noticiários da TV.

Hoje se mata facilmente por qualquer motivo. Por ciúme, por uma latinha de cerveja, pela pressa em se chegar a um destino. A banalização da vida traga para um buraco escuro os valores que deveriam prezar e honrar a espécie humana. Vivemos uma intensa crise. Uma  crise de valores.

Se existe, por um lado, um contexto interno, escondido na história de vida de cada pessoa, que nos faz perceber que a loucura, a agressividade e o mal não estão tão longe de nós como gostaríamos; por outro lado existe todo um contexto social que facilita com que, cada vez mais atos injustos e destrutivos sejam cometidos.
Aqui podemos e devemos ressaltar a questão da impunidade.

Crimes horrendos são cometidos sem que os responsáveis sejam devidamente punidos. Como em um jogo de vídeo game, parece que os agressores tem sete vidas, ou até mais. Aperta-se um botão e tem-se a chance de começar tudo de novo, como se a parte prejudicada deixasse magicamente de existir. O mal causado ganha status de irrealidade, logo cai no esquecimento, e tudo prossegue como se nada tivesse ocorrido.

Até quando?

Não podemos mais compactuar com esse tipo de postura. Precisamos lutar para fazer valer o respeito pela vida, a responsabilização dos infratores, a nossa dignidade como seres humanos.

Mais do que nunca, nossa voz se faz necessária.

Que estendamos as mãos e nos unamos nesse grito que clama por mais humanidade.

Que ao tocarmos as mãos uns dos outros nos sintamos acompanhados nessa batalha pela vida e pela própria humanidade.

Escrever este artigo é a minha forma de estender a minha mão e tentar aliviar um pouco o peso que se abateu sobre meu coração.

Apesar de tudo, acredito na humanidade.

Acredito em mim.  Em você.

Em nós.

Patricia Gebrim
Ciclista, psicóloga e escritora onde já publicou vários livros, entre eles Palavra de Criança, Enquanto Escorre o Tempo e Gente que Mora dentro da Gente. Em uma de nossas pedaladas pedi que escrevesse um texto do que tem sido a bicicleta para ela, os benefícios que ela colheu e todo o estresse do relacionamento carro e bicicleta. Vale a pena dar uma lida

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"YOGA PARA CICLISTAS"


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 25/02/11 às 18:24 na(s) categoria(s) Coluna

"YOGA PARA CICLISTAS"  por B. Baptiste e K Mendola, US.
Queridos ciclistas aí vai uma matéria bem legal que acabei de traduzir:

Rudy Altig conhecido nos anos 60 por "anão amarelo" nas corridas de Tour de France


Foi um visionário de seu tempo. Tournou-se adepto do yoga desde cedo e usava a prática antes e depois das árduas corridas. Instintivamente ele soube que a prática yóguica, que leva o atleta a explorar outras dimensões e ângulos do corpo, complementaria o esporte uni-dimensional que é o ciclismo.
Os ciclistas tem no movimento do quadril o centro de seu movimento e impulso e quando ele não se dá de forma equilibrada a parte superior do corpo sofre estressando a lombar. Geralmente o quadriceps é hiperdesenvolvido e em compensação a musculatura posterior das coxas se encurta, endurece e enfraquece.
A prática do yoga ajuda a restaurara o equilibrio do corpo de quem pedala aplicando os principios do alinhamento e transferindo-os para a forma como a pessoa se senta na bicicleta.
Jon Briden Brough um competidor de Oregon agregou em seus treinos a yoga e vem obtendo resultados muito felizes melhorando seu equilibrio, sua resistencia e a consciencia de seu proprio centro. Ele declara ter descoberto uma liga direta entre os principios da yoga e a posição do homen na bicicleta. O sucesso do ciclista depende do quão comfortável ele se sente ao pedalar.
Existe um cheklist que é feito com o ciclista para encontrar o melhor ajuste para ele e sua bicicleta; esse checklist inclui: alinhamento de braços e punhos, tronco, quadril , pelve e pernas. O alinhamento advindo do yoga auxilia a economizar energia durante as pedaladas otimizando sua performance.
Existem posturas (asanas) que contribuem imensamente para que o seu fluir seja prazeiroso, para que você conquiste a extensão e alongamento muscular necessários e para que seu condicionamento cardio respiratório chegue no limite ótimo.

Boa pedalada!

Ana Lu Matsubara
http://iyengaryogasaopaulo.com.br/

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Roubada na hora do almoço


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 17/02/11 às 18:47 na(s) categoria(s) Coluna

Em 2011 o Sampa Bikers comemora 18 anos de fundação. E com 18 anos temos muitas histórias para contarm muitas delas roubadas terríveis. Uma delas foi em nosso primeiro ano quando um de nossos fundadores o Reinaldo Ópice estava levantando uma trilha em Alpahville. Leia abaixo o relato do Reinaldo e divirta-se.


Não tão raramente, acabávamos caindo em verdadeiras roubadas ao preparar os passeios do Sampabikers.

E uma das roubadas que acabou ficando famosa, ocorreu comigo quando então eu gerente geral de uma subsidiária da IBM, cujo escritório ficava no Alphaville.

Num desses extremamente quentes dias de verão, o Jayme passou no escritório e me chamou para comer um lanche rápido e aproveitar o horário do almoço, que ele iria me mostrar uma trilha muito interessante para fazermos um próximo passeio.

O Jayme conhecia bastante bem a região, pois alem de ser morador do condomínio há algum tempo, era também proprietário de uma loja Biketech no Alphaville, que patrocinava o Sampabikers. Assim, apesar do calor que fazia no dia, nem sequer pestanejei e saímos para lanchar e explorar a tal da trilha.

Logo de cara, eu devia ter desconfiado, pois o Jayme insistiu muito para que fossemos no meu velho e desconfortável jipe Niva ao invés da sua Saveiro com ar condicionado. E lá fomos nós.

Entramos na área de mata nativa que na época abundava na região, e fui seguindo as indicações do Jayme. Naquele calor do meio do dia, eu transpirava em bicas dentro do jipe. E com certeza, camisa social e gravata não eram as roupas mais apropriadas para esta exploração.

Quando já havíamos percorrido uma boa distância em estradinhas e trilhas, o Jayme sugeriu que utilizássemos um atalho para que o passeio não ficasse muito longo. Então ele apontou para um matagal ao lado da estradinha de terra e indicou que se seguíssemos por ali iríamos andar menos de 200 metros e já estaríamos de volta ao início da trilha.

O tal do matagal era puro capim e arbustos altos, de quase um metro de altura, o que não permitia enxergar nada a frente. Mas o Jayme categoricamente afirmou que havia passado por ali mesmo, há pouco tempo, e que havia uma trilha por baixo do capim, e que não tinha dúvida nenhuma do caminho.

Meio por curiosidade e também por ingenuidade mesmo, topei seguir em frente. Apontei o jipe na direção indicada pelo Jayme e fomos em frente. A medida em que o pára-choque do Niva ia dobrando e amassando o capim, dava para perceber que o chão em baixo era relativamente plano e sem erosões.

Mas poucos metros depois, a roda da frente do jipe encontrou uma pequena elevação, como se fosse uma rampa e imediatamente parei o Niva para avaliar o que seria, pois não conseguia enxergar nada no meio de tanto capim e arbustos.

Mas o Jayme nem sequer desceu do jipe para verificar e, com a maior segurança, falou para seguirmos em frente, pois era apenas uma rampa curta, da qual ele se lembrava bem, e que estávamos muito perto. Pois bem, confiando na experiência do meu amigo, acelerei o jipe para vencer a rampa, quando imediatamente as rodas da frente desceram novamente e o carro parou de se movimentar. Engatei a reduzida, travei o diferencial e mesmo assim, com total potência nas quatro rodas do jipe, nada de movimento.

Neste instante, abrimos as portas com muita dificuldade, pois o mato estava cercando todo o carro, e qual a minha surpresa ao olhar por baixo do carro e perceber que estávamos com as quatro rodas no ar, o jipe equilibrando em cima de um morrinho, totalmente imóvel.

Tentamos em vão balançar o jipe, mas aquela tonelada de puro aço e lata russa nem sequer se abalou. Logo percebemos que não havia nenhuma chance de sairmos dali por nossa conta. Então lembrei da minha bike que estava no porta-malas e a passei para o Jayme, que além de estar de jeans, “conhecia” o caminho e podia sair dali pedalando e ir buscar ajuda para nos tirar de lá.

E lá fiquei eu sozinho, encravado no meio do mato, de gravata e calça de terno, sob um sol de rachar e sem telefone celular para pedir socorro. Para completar o meu aborrecimento, lembrei que precisava voltar ao escritório para assinar alguns cheques, enquanto via o horário rapidamente de aproximar do final do expediente bancário.

Passada quase uma hora,vejo o Jayme chegando e junto com ele cerca de uns 6 pedreiros que ele recrutou numa obra próxima dali para nos ajudar. Com este time, conseguimos levantar o jipe e colocá-lo novamente sobre suas próprias rodas e de lá partir em disparada de volta para o escritório.

Por pouco, não perdi o horário bancário, o que teria me custado algumas multas e muitas explicações. Mas o mais divertido foi ver a cara dos meus funcionários quando cheguei de volta e não dei nenhuma explicação dos meus sapatos sujos de terra, pedaços de capim grudados na calça e a camisa encharcada de suor ...

Reinaldo Ópice é um dos fundadores e vice-presidente do Sampa Bikers

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Use os freios com inteligência


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 11/02/11 às 12:26 na(s) categoria(s) Coluna


O uso dos freios com consciência e agilidade também faz você andar rápido, basta um pouco de técnica e sintonia com todo o conjunto.


A primeira dica importante é ter os freios sempre em ordem.

Quando pensamos em freios lembramos que é um equipamento que serve somente para diminuir, desacelerar ou parar, o que é correto, sendo essa sua principal função; mas para o Mountain Bike por exemplo os freios são muito mais do que isso, eles servem também para ajudar a direcionar, alinhar e posicionar a bicicleta na pilotagem.

Como Funciona:
Quando estamos pilotando uma bike enfrentamos todos os tipos de situações e obstáculos e é nessa hora que a técnica do uso dos freios entra em ação.
Vamos lembrar primeiro que o freio dianteiro serve somente para diminuir a sua velocidade e parar a bicicleta; quando utilizar mantenha um aperto leve e constante para que não trave de jeito nenhum, sabendo que se acontecer é chão na certa.
O trabalho fica mesmo por conta do freio traseiro, é ele que tem que funcionar o tempo todo com freadas de todos os tipos.
O foco adiante é de extrema importância, pois é o que vai mostrar para qual direção devo ir podendo assim usar os freios com eficiência e exatidão, posicionando a bike da melhor maneira possível.
A derrapada programada da roda traseira é a chave de tudo, é esta manobra que vai direcionar a sua bike para uma curva perfeita ou mudança de lado para uma linha mais limpa evitando algum obstáculo indesejado.
Esta técnica é que faz a diferença entre passar de qualquer jeito uma curva ou obstáculo perdendo tempo ou aprimorar as suas freadas para traçar uma linha mais curta e andar mais rápido.
O corpo também é parte importante na eficiência dos freios quando posicionado corretamente; o ideal é manter o corpo acima do selim ou mais para trás colocando peso na roda traseira; nas curvas o apoio do corpo deve ter auxilio do selim para dar mais estabilidade e segurança nas freadas.
O apoio dos pés no chão em uma derrapagem mais ampla também tem a sua utilidade evitando a queda e agilizando a sua saída novamente.
O aperfeiçoamento técnico para o uso dos freios deve ser levado em conta por fazer parte do processo de pilotagem.
A regulagem dos freios é muito pessoal, mas alguns toques talvez possam ajudar a melhorar ainda mais. Percebo nas bikes de algumas pessoas que costumam regular os freios muito alto onde basta encostar o dedo e a bike trava, isso é um perigo.
Segue o conceito que o freio dianteiro deve ficar com a regulagem baixa somente para ajudar a diminuir a velocidade; já o freio traseiro deve ficar um pouco mais alto por comandar o processo de freada e pelo desgaste das sapatas.
Outro detalhe é o uso das mãos, temos que pensar que o dedo deve funcionar como uma alavanca e não esticado; a maçaneta um pouco mais próxima melhora a sua pegada no guidão ajudando até a economizar energia dos seus dedinhos.

OBS: Não podemos esquecer os vários tipos de modelos de freios:

Vamos citar os mais usados que são as de mountain bike que são muito utilizadas também nos modelos de bicicleta para cidade:

Cantilever:

V.Brake

 Hidráulico

 Disco mecânico

 Disco Hidráulico

Cada modelo tem suas diferenças na eficiência, nunca vá direto para a trilha com um equipamento novo, experimente ele na rua mesmo por algumas vezes para acostumar com a precisão, assim você poderá usar com mais confiança.
Importante: Dependendo de onde você for andar a escolha dos pneus e a calibragem certa pode fazer uma grande diferença na eficiência das freadas.

Boas Pedaladas ! E use sempre o capacete !

Texto:
Edu Ramires
Ciclsita, diretor do Sampa Bikers, atleta, técnico da seleção brasileira de mountain bike e campeão mundial amador de mtb em 1989.
Utiliza em sua bicicleta os freios da marca Fórmula http://www.formula-brake.com/en

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Relato de um ciclista atropelado


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 10/02/11 às 11:17 na(s) categoria(s) Coluna


Escrevo estas breves linhas para expor uma preocupação que é bastante comum para quem pedala e para quem aguarda o nosso retorno em casa sãos e salvos: a violência no trânsito.
Imaginem o seguinte: bicicleta “tinindo” e recém inaugurada, primeiro dia de férias, antevéspera do réveillon, a cidade em ritmo de festa, equipes e mais equipes treinando para a corrida de São Silvestre, sol, verão e, de repente, um carro na minha frente.
Eu já estava encerrando o pedal, voltando para casa todo equipado quando então aparece um carro que “achou” a rua que estava procurando e resolveu simplesmente dar uma guinada sem qualquer sinalização e sem se dar conta que naquele momento passava um ciclista.
No lugar da pista à minha frente eu vislumbrei a lateral do carro que cortou a minha trajetória. Freei o máximo possível e num milésimo de segundo eu já me perguntava o que estava fazendo no chão. E o meu passeio? E as minhas férias? E o Ano Novo?
As pessoas param para ajudar, perguntem se você está bem, perguntam se você quer ir ao hospital, se precisam chamar uma ambulância, quando na realidade eu queria simplesmente concluir meu passeio e voltar para casa da mesma forma que havia saído: bem de saúde e inteiro.
Resultado: várias luxações, dores generalizadas e uma mão quebrada (a esquerda – eu sou canhoto!).
A motorista, consternada pelo acidente, ficou igualmente preocupada. Mas não tenho o que fazer, e nem ela também, com a minha mão quebrada senão somente aguardar com muita paciência a recuperação, torcendo para não ter que fazer uma cirurgia.
Alguns dizem, e com muita razão, que tenho que rezar bastante por não ter sido pior. E é a mais pura verdade. Já rezei sim, e continuo. E mais. Sigo rigorosamente as dicas de segurança que ouso sugerir a todos logo abaixo. E ainda rezo para os outros também terem cuidado.
Mas evidentemente não basta. Não basta que façamos a nossa parte nos defendendo sempre. Os veículos não podem se transformar em armas nas mãos de alguns irresponsáveis.
Precisamos de mais cliclovias, ciclofaixas, corredores exclusivos, parques, educação, respeito, segurança, fiscalização, apoio das autoridades constituídas e, sobretudo, de mais bikes pedalando: o meio ambiente, a natureza e a nossa saúde vão agradecer muito.
Afinal de contas somos os mais fracos nesta dura convivência com o trânsito tão violento.
Eu estou bem, mas hoje, infelizmente, recebi uma triste notícia que um triatleta do Rio de Janeiro, treinando com sua bike speed, se envolveu em um grave acidente com um ônibus e está em estado grave.
O tempo de convalescência serve para revisar a bike e principalmente para refletir. Em algumas semanas voltarei a pedalar com os meus amigos do SAMPABIKERS na esperança de encontrar o trânsito mais humanizado.
Sugestões básicas de segurança:
1. Nunca saia de casa sem seus documentos, telefone de contato de parentes e a carteira do plano de saúde se tiver;
2. pedale equipado com os itens de segurança devidamente revisados: farol, lanterna, capacete, luvas, etc.;
3. pedale somente com sua bicicleta revisada: pneus em bom estado e calibrados, freios; marchas, corrente, etc.;
4. pedale preferencialmente em grupo e siga rigorosamente as orientações do líder do seu grupo;
5. siga rigorosamente todas as regras do trânsito e lembre-se – no choque entre o carro e a bicicleta, nós somos os mais fracos;
6. pilote por você e pelos outros e se faça visível.

ADRIANO CATANOCE GANDUR

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Bike como meio de transporte


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 09/02/11 às 10:41 na(s) categoria(s) Coluna

O exemplo das cidades médias

Talvez seja interessante pensarmos em outras realidades para entender o que acontece em São Paulo no que se diz respeito a utilização da bicicleta como meio de transporte. Para isso, tomemos Dourados como exemplo, cidade de cerca de 180 mil habitantes localizada a 250 km de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Mesmo o turista mais desatento é capaz de perceber a quantidade de bicicletas que por lá circulam e as áreas reservadas para o seu estacionamento e que são efetivamente utilizadas.

Um olhar mais atento para a paisagem nos ajuda a estabelecer as relações entre as características geográficas da cidade e as facilidades ao ato de pedalar.
A primeira delas é o relevo da cidade que possibilitou a construção de ruas bastante planas e largas, que facilitam o fluxo de bicicletas. A segunda é o clima do tipo tropical, ou seja, quente o ano todo intercalado por uma estação seca e outra chuvosa (chuvas intensas e rápidas).
 
O clima não se restringe apenas às temperaturas e às chuvas, mas também às ações das massas de ar que, dentre outras coisas, influenciam na umidade relativa do ar. E como na região predominam as ações de massa de ar seca transpira-se menos. E a terceira característica é a quantidade de fluxos que animam a estrutura urbana da cidade, bem menos intensos e complexos do que nos grandes centros urbanos e que também explicam as pequenas e médias distâncias que separam os pontos extremos da cidade.
Esses três fatores -clima, relevo e funções urbanas –influenciam no maior ou menor uso da bicicleta como meio de transporte.
Porém, um olhar mais crítico nos permitirá perceber que a bicicleta é mais amplamente utilizada por classes sociais de renda média a baixa. Para eles a bicicleta não é transporte alternativo nem filosofia de vida, mas a única maneira que têm de se locomover pela cidade, ou pelo menos a forma mais econômica. Ora, se a estrutura física é a mesma para todos, por que alguns só se locomovem em seus automóveis?


Texto: Eduardo Campos - Ciclista, Bacharel e licenciado em Geografia pela USP, mestre em Educação pela FEUSP. Foi professor de Geografia no ensino fundamental e médio da rede pública e particular. Autor de publicações de material didático de geografia e orientações sobre práticas de ensino na área. Atualmente trabalha com formação de professores, é assessor da Secretaria Municipal de ensino de São Paulo e coordenador pedagógico e educacional de escola particular. É autor e formador de professores associado à Editora Horizonte desde 2009.

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Qual a sua Tribo?


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 07/02/11 às 18:13 na(s) categoria(s) Coluna


Os ciclistas quando se encontram para fazer um passeio todos parecem ser amigos de infância, quando na realidade muitos deles estão se conhecendo naquele momento do encontro. 
Os ciclistas trocam muitas informações a respeito de equipamentos, rotas, dietas, suplementos, roupas, lugares bacanas para pedalar e por aí vai. Não há economia de informação dando a cada um a chance de conhecer as coisas boas do mercado, os lançamentos, o que está na moda, etc.
Outra característica interessante é que não existe distinção entre classes sociais, raça e credos. Um ciclista que tem uma bicicleta muito simples pedala ao lado de ciclistas com bicicletas de alta tecnologia.
O gosto pelo pedal é o ponto comum e isto basta. O restante não tem tanta importância, por isto que cada cidadão que ingressa neste esporte é bem recebido e se integra facilmente, fato que alimenta ainda mais a paixão pelo esporte.
Não há nada mais gostoso, mais gentil e cativante do que ser super bem recebido por um grupo de esportistas felizes e amáveis.
Percebi que a divisão entre os praticantes do ciclismo dá-se no tipo de pedal, ou seja, de acordo com a modalidade de ciclismo que mais atrai o esportista. Oficialmente o ciclismo é dividido em quatro categorias: provas em estradas, provas em pistas, provas de montanha (Mountain Bike) e BMX. Mas em cada categoria é natural a formação de grupos distintos.
Os ciclistas que usam a bicicleta do tipo “speed”, chamados de “speedeiros”, são considerados elitizados pelos que praticam o mountain bike. Na minha opinião as bicicletas speed são mais elegantes e conseqüentemente os ciclistas também, as roupas, capacetes, enfim o conjunto me dá a sensação de mais harmonia e elegância e os ciclistas em si são tão bacanas como os que praticam mountain bike ou BMX.
Tenho uma bicicleta speed muito simples que uso apenas no rolinho e algumas vezes para treinar um giro. Quando encontro o grupo de “speedeiros” todos me recebem bem e com paciência pedalam ao meu lado me incentivando e motivando a continuar com o pedal.
Na categoria mountain bike tenho convivido com várias “tribos”. Tem aqueles que adoram um pedal pesado, não dispensam nenhuma pirambeira e quanto mais dura e mais desafiadora a trilha, mais felizes ficam. Este tipo de percurso tem em média 40Km.
Há os que gostam de trilha com terra batida, preferem o passeio, curtir a paisagem sem grandes esforços, gostam de pedalar grandes distâncias, desde que a trilha seja relativamente fácil. Estão acostumados a pedalar distâncias longas acima de 80Km.
Há aqueles que preferem as cicloviagens, normalmente pedalam mais de um dia seguido e carregam muito peso nas bagagens quando não dispõem de carro de apoio. Outros preferem cicloviagens com apoio e toda a mordomia que puderam pagar.
Vejo a diferença não somente na modalidade de pedal, mas também no tipo de investimento que fazem em seus equipamentos.  Muitos ciclistas são aficionados por alta tecnologia, usam bicicletas sofisticadas, de carbono, com freio a disco, hidráulico, suspensão inteligente e uma série de componentes que conferem a magrela um desempenho incrível facilitando sobremaneira o pedalar do seu usuário. Há os que preferem não fazer tal investimento, não são aderentes ao modismo e nem a alta tecnologia por uma questão de custo e também por cultura, pedalar simplesmente é o que lhes basta.
Considero-me uma ciclista privilegiada, pois tenho freqüentado todo tipo de grupo. Esta flexibilidade tem me proporcionado momentos maravilhosos e um aprendizado importante no que se refere às diversas técnicas de pedalar, no estilo de trilha ou passeio e principalmente no relacionamento humano.
É fato, em nenhum esporte obtive as alegrias que estou tendo com a prática do ciclismo e em nenhum outro esporte e posso dizer que em nenhuma outra área de minha vida fiz tantas amizades e encontrei tanta gente legal de bem com a vida.
Independentemente de qual tribo faça parte, todos os ciclistas, ou pelo menos todos os que conheci, e são muitos, tem em comum o senso prático, a simplicidade, o gosto pela liberdade, o gosto e respeito pelo meio ambiente, a solidariedade, a amizade e certamente uma profunda paixão pelo esporte.
Depois de um ano pedalando, vivenciando tantos desafios e oportunidades sinto que mudei, mudei meu modo de ver o mundo e tudo a meu redor. Muito dos meus valores já não existem mais, foram substituído por outros que considero melhores e até mais nobres.
A simplicidade e o movimento do pedalar traduzem o que vivo hoje. Sinto-me em constante movimento com fluidez e leveza. A prática do ciclismo me trouxe simplicidade, a alegria de viver e saborear cada momento da vida.
E você faz parte de qual tribo?

*texto - Claudia Franco

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Dicas para Cicloviagem sem carro de apoio


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 21/01/11 às 11:49 na(s) categoria(s) Coluna

As cicloviagens podem ser feitas sozinho, em grupo, com apoio ou sem apoio.

A cicloviagem realizada com apenas um ciclista e sem apoio é a que considero mais desafiadora em termos de segurança e dificuldade na solução de imprevistos.

A cicloviagem em grupo tende a ser mais segura e se contar com apoio é a melhor delas também no que se refere a segurança e solução de imprevistos.

Ao optar por participar de uma cicloviagem o ciclista deverá definir que tipo de viagem deseja fazer,  ou seja, com ou menos riscos.

Para aqueles que não vão viajar com o Sampa Bikers que oferecem uma cicloviagem  com apoio e toda infra-estrutura e segurança necessária  segue algumas dicas para quem pretende realizar uma cicloviagem por conta própria aumentando sua chance de sucesso.

Esteja atento aos seguintes aspectos:

1- Liderança: É importante que o grupo tenha um líder, seja uma pessoa que o grupo escolha ou que surja naturalmente. Via de regra, quem organiza a viagem acaba sendo o líder também.

2- Segurança: A segurança permeia vários aspectos, são eles:

a. Sua bicicleta deve estar revisada, pneus, freios e marchas.
b. Necessário ter ferramentas adequadas para troca e reparo de pneu e câmera, uma bomba para encher a câmera, ter uma câmera sobressalente, ferramenta para conserto de corrente, um “power link” é sempre muito útil, é um elo de corrente especial utilizado para facilitar a instalação e retirada da corrente da bicicleta. Uma gancheira também é um item que recomendo, pois se a gancheira quebra a sua viagem estará comprometida. A gancheira é a peça que prende o câmbio traseiro ao quadro, possibilitando que se movimente livremente para conduzir a corrente nas trocas de marcha.
c. A escolha de um bom bagageiro para a sua bike é importante. Verifique a qualidade, o peso que deverá suportar. Se for usar uma mochila ressalto que a mesma deva ter ser estruturada para não ficar balançando nas costas e deve ter alças para prender no tórax e também na linha da altura do quadril, estas alças darão mais estabilidade a mochila e conseqüentemente ao seu pedal.
d. Você é o responsável por sua própria segurança, portanto mesmo que o terreno seja propício não fique tentado a prática de altas velocidades e/ou manobras mais arriscadas. A cicloviagem é para curtir a paisagem, os amigos, o passeio. O nome já diz é passeio e não competição.
e. Consciência de Grupo*. Fundamental para a sua segurança e do próprio grupo manter uma distância máxima onde seja possível ter visada do o seu parceiro da frente ou de trás. Nunca se aparte do grupo, por isto a distância máxima precisa ser respeitada.
f. Conhecer detalhes e obter informações relevantes a respeito das trilhas a serem percorridas. Fundamental fazer o mapeamento antecipado. É importante para a segurança que todos estejam cientes das dificuldades das trilhas, tenham o mapa atualizado ou equipamento como GPS para garantir que o grupo não se perca. Certifique-se de que trilhas que existiam há 10 anos atrás continuam existindo. Cicloviagem não é pedal exploratório.

3- Itens de primeiros socorros e alguns outros: Água oxigenada, atadura, curativo, protetor solar, repelente e hipoglós (assaduras podem ocorrer em viagens longas.)

4- Sua bagagem: Seja econômico com sua bagagem levando apenas o necessário. Quanto mais longa a viagem pior será o efeito Tempo x Peso. Quanto maior a duração do percurso maior será a sensação de peso.

a. Quanto às roupas leve o estritamente necessário, a sua roupa para pedalar se possível que seja uma só, lave a noite para usar no dia seguinte, leve uma troca de roupa para usar quando chegar ao destino depois do pedal. Para frio ou chuva leve um corta vento com capuz e mangas longas, combinado com manguito é uma ótima opção para se proteger do frio, uma “segunda pele” também é boa opção. Não leve nada que faça volume. Leve roupas fáceis de serem empacotadas, que sequem rápido.

b. Recomendo que coloque suas roupas em sacos plásticos do tipo zip lock ou embalagens que vem com as roupas de cama, este tipo de embalagem é ótima além de muito prática. O plástico é importante para proteger a sua roupa da água. Se chover durante o percurso a sua mala vai molhar muito e o plástico evitará sua roupa ficar em contato com a água.

c. Recomendo levar uma toalha extra absorvente. São excelentes, leves e não ocupam espaço.

5- Caminhos: Ao definir a cicloviagem fique atento a relação Distância x Dificuldade do caminho a ser percorrido. Quanto mais longo o percurso, o ideal é que, menos desgastante seja. Percursos muitos longos com percursos de muita dificuldade aumentam as chances de “baixas e desistências de integrantes do grupo”, aumentam as chances de acidentes e quebra de equipamentos.Não esqueça de pesquisar o tipo de piso a ser percorrido se será em terra ou asfalto para definir o melhor tipo de pneu.

6- Nível de experiência e preparo físico dos integrantes do grupo: O ideal é que todos os integrantes do grupo tenham níveis similares de preparo físico para a trilha definida para a cicloviagem. Caso isto não seja possível é fundamental lembrar-se que a velocidade e o tempo para percorrer a trilha será estabelecida pelo integrante de menor preparo. Ninguém deve ser deixado para trás ou ser forçado a fazer um esforço físico maior que sua capacidade.

7- Hidratação e alimentação: Levar líquidos e alimentos adequados como isotônicos, água, fruta secas, gel, em quantidade suficiente para o percurso do dia. comidas leves e ricas em proteínas e carboidratos são as mais indicadas.Reabasteça seus alimentos e líquidos nos locais de parada. Não conte com a sorte, nem sempre haverá fontes de água disponíveis pelo percurso. Se houver pare e aproveite para abastecer, mesmo que seja apenas para completar. A hidratação é fundamental, a perda de 5% do liquido do seu corpo pode representar uma queda em 70% de seu desempenho.Banana desidratada é uma excelente opção, pois ajuda repor o potássio evitando possíveis câimbras.

8- Planejamento: Por mais experiente que o grupo seja, o planejamento é muito importante para o sucesso da viagem. O tipo de planejamento para uma cicloviagem é operacional, pois o enfoque deve ser dado é nas atividades e tudo o que for necessário para que tudo na viagem aconteça corretamente. Planejar e organizar a viagem no máximo de detalhe possível nunca será em demasia, pois imprevistos acontecem e se você se preparar para o pior cenário certamente estará preparado caso tenha algum imprevisto desagradável e se nada acontecer você estará com o sucesso garantido.

9- Onde se hospedar: No planejamento procure na internet alguns endereços de pousadas e hotéis nas cidades onde pretendem parar. Não deixe para fazer isto ao chegar o destino super cansado depois de pedalar o dia, neste momento ninguém vai ter disposição para encontrar uma pousada ou com boa relação custo benefício.

10- Respeito: Respeitar horários, ritmo da viagem, e tudo o que foi planejado e acordado entre o grupo é fundamental. O consenso deve prevalecer e acima de sua vontade está à vontade do grupo. Respeito, solidariedade e companheirismo devem ser a tônica do grupo. Portanto pense enquanto grupo deixando de focar apenas em suas questões pessoais.

11- Transporte das bicicletas: Caso a volta da cicloviagem ou mesmo parte da ida seja necessário o transporte da bicicleta em ônibus ou avião, certifique-se antecipadamente com as companhias a possibilidade e os custos envolvidos para transportar a sua bicicleta, algumas companhias aéreas cobram, outras não, algumas companhias de ônibus permitem o transporte e outras não mesmo existindo legislação para favorável ao transporte.

12- Documentar a viagem: Não se esqueça de máquina fotográfica e filmadora. Verifique seus equipamentos antes da viagem, se baterias estão carregadas, se as memórias terão espaço suficiente. Nada mais frustrante do que ficar sem as imagens de suas aventuras.

O objetivo da cicloviagem é diversão, é curtir com os amigos o prazer de pedalar e chegar ao destino com o seu próprio esforço físico. Lembre-se que o seu grupo não é um mero somatório de pessoas, ao contrário disto é uma unidade de pessoas, (amigos) com objetivos comuns, portanto faça da sua participação algo prazeroso  para o grupo, seja gentil, pois o modo como você trata as pessoas determina quem você é!*
(*Frase do livro o Poder da Gentileza)


Dicas da Claudia Franco - ciclista responsável pelo Projeto Sampa Bikers Mulher

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Conto de um ciclista de Olímpia


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 18/01/11 às 20:32 na(s) categoria(s) Coluna

O Segredo do Barão

O Desafio da Padoca começa no Vale do Paraíba, a partir do posto Castelão.
Cheguei cismado no meio da moçada não querendo parecer intruso com meus 67 anos (hoje tenho 72) pedalando minha mountain entre uma absoluta maioria de speederos.


Depois de 15 km rumo a Campos do Jordão você encara mais uns 15 de serra, sem refresco até santo Antonio do Pinhal, atravessa a cidade, nova pirambeira, depois um trecho bucólico e caipira e outra subida de serra pela estrada velha, sem refresco, aí por uns 12 quilometros até chegar em Campos. Aí é descer até o vale zunindo a brisa pelas ventas por 20 quilometros e mais os 15 do pé da serra até o retorno ao Castelão, somando 83 no cateye. Desistências pelo caminho, carros de apoio catando pregos e eu chegando entre os que chegaram. Alguns moços se chegam, puxam prosa e a inevitável pergunta sobre a idade e qual o segredo. Penso, mas não respondo: ah! o segredo é o Barão, meu pai.

(foto do Otoni pedalando em uma speed com seus 72 anos)

Olímpia era uma cidade pequena, dividida e atravessada pelo bosteiro Olhos D´Água. Numa metade ficava o centro e o jardim da matriz, na outra, o jardim da igrejinha, o bairro do Pito Aceso, a estação da São Paulo/Goiás e algum comércio espalhado, de modo que pra qualquer lugar que se fosse, ou se subia, ou se descia.
Essa pirambeira inibia o uso das magrelas. Não inibia meu pai. Tinha sua Phillips inglesa preta, pois opções de cores não havia, assim como não havia bicicleta fabricada por aqui.
Certa vez Barão foi notícia de primeira página publicada na Voz do Povo. “Colisão de bicicletas na esquina da São João com a Jorge Tibiriçá acidenta dois cidadãos olimpienses.”
Fratura de fêmur e meu pai foi pra Barretos fazer um implante de cabeça de fêmur por conta do antigo INPS. Uns dias de hospital, chegou em casa mancando e muito bravo com os médicos que o proibiram de pedalar, além de o deixarem com uma perna mais curta. Imaginou a diferença, cortou uns calços de papelão, enfiou no sapato e andava sem mancar. Aos poucos foi diminuindo a altura dos calços até eliminá-los de vez. A perna se ajeitou, nunca mais mancou. Voltou a pedalar.

Ah! O segredo. Quando nas trilhas, nos desafios das pirambeiras, logo à minha frente vai pedalando meu pai, na sua Phillips preta, sem câmbio, apenas uma catraca 22 atrás, sem sapatilha clipada no pedal, sem selim com gel e canaleta pra proteger a próstata, sem capacete, sem bermuda anatômica e forrada pra proteger o saco e a bunda, sem camisa em tecido que ventila e elimina o suor, sem isotônicos na caramanhola, sem caramanhola, sem luvas, sem cateye e sem tanto mais. Vai de calça, cueca, cinta e camisa com caneta no bolso. Vai de sapato com cadarço, meia Lupo serzida no ovo, presilha prendendo a barra da calça pra não engastalhar na corrente.

Vai bem na minha frente, ainda hoje ensinando o caminho.

Otoni Gali Rosa

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Reflexões de fim de ano de uma ciclista,


Publicado por Paulo de Tarso bikers em 28/12/10 às 13:46 na(s) categoria(s) Coluna
Patricia Gebrim além de ciclista participante assídua dos passeios do Sampa Bikers é também psicóloga e escritora onde já publicou vários livros, entre eles Palavra de Criança, Enquanto Escorre o Tempo e Gente que Mora dentro da Gente. Em uma de nossas pedaladas pedi que escrevesse um texto do que tem sido a bicicleta para ela, os benefícios que ela colheu e todo o estresse do relacionamento carro e bicicleta. Vale a pena dar uma lida.


A proximidade do final do ano é sempre uma época especial. Se por um lado as pessoas parecem malucas correndo de lá para cá (mais adiante falarei sobre isso), por outro lado nos tornamos mais reflexivos, ponderando nossas escolhas no ano que, ao menos simbolicamente,  está prestes a se despedir.

Uma das escolhas mais importantes que fiz este ano foi a de comprar uma bicicleta. Sou uma ciclista praticamente iniciante e escrever este artigo me parece pouco para retribuir tantas coisas boas que a prática do ciclismo trouxe para a minha vida.

No início fui tomada por uma alegria que parecia vir da criança que fui um dia. É impossível subir numa bicicleta e não sentir borboletas fazendo festas na nossa barriga!  De certa forma, resgatamos a magia da infância, a alegria. Sobre duas rodas tocamos o mundo de uma forma que torna cada quilometro uma mistura de conquista e magia.

Mas a grande surpresa foi descobrir que, com a bicicleta, veio muito mais do que eu esperava. Vieram novos amigos _ nunca esperei ser tão bem acolhida em um grupo. Já participei de vários grupos esportivos, mas confesso que o calor, a simpatia e a postura solícita dos ciclistas me encantaram. Com a bicicleta também vieram viagens deliciosas para  lugares lindos e cheios de cachoeiras e borboletas (tudo bem que tive que sofrer um pouco para chegar lá pedalando!). Veio mais saúde e uma taxa de colesterol menor, apesar dos  deliciosos jantares regados a vinho na pizzaria, afinal ninguém é de ferro, nada melhor do que celebrar uma boa pedalada. Vieram pernas mais fortes e coração mais leve.

Hoje me sinto mais viva.

Deixando um pouco de lado essa reflexão mais pessoal, volto a pensar no ritmo alucinado da cidade nesses dias. Aprendi, pedalando em meio ao trânsito de uma cidade como São Paulo, o quanto é importante que exista um bom relacionamento entre os ciclistas e os que preferem andar sobre quatro rodas. Antes de começar a andar por aí de bicicleta  eu não percebia muitas coisas que agora sei.

Hoje sei que os ciclistas não andam em grupo com o intuito de se apropriar das ruas ou irritar propositalmente os motoristas de carros. Andam em grupos pois assim estão mais protegidos, e é por esse motivo que procuram não romper a unidade do grupo.

Hoje sei que um ciclista está em uma posição de muito mais fragilidade e procuro ser paciente e ceder-lhe passagem.

Hoje presto atenção antes de abrir a porta de meu carro quando estaciono, um ciclista pode estar vindo e não  teria tempo de frear.

Confio que com o tempo aprenderemos, ciclistas e veículos motorizados a estabelecer uma relação de mais respeito e civilidade. Afinal, todos temos a ganhar com isso!
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